Plano tecnológico – Criativo? Inovador? Ou, apenas um plano?
A minha visão sobre o nosso país pode ser um pouco pessimista mas apenas me limito a ver o que tenho à minha frente.
Aquilo que me parece que acontece constantemente em Portugal é que há uma necessidade muito grande em tentar acompanhar os países europeus sem analisar verdadeiramente aquilo que se passa cá dentro.
Mas este problema vem de há muitos anos atrás. Desde a Revolução Agrícola que Portugal está 100 anos atrasado em relação aos outros países. Ora, esse atraso vem-se notando até aos dias de hoje.
E aquilo que me parece que se faz muitas vezes é “tapar” buracos. Ou seja, passa-se por cima daquilo que está mal para se tentar implantar uma medida que deu resultado noutro país. Mas como existiam problemas anteriores que não foram resolvidos, as mesmas medidas que funcionam algures num país da Europa não funciona em Portugal.
Mas também isto vem de há muitos anos, esta atitude está nas características dos portugueses “fazer castelos no ar”. E é isso que aqui se faz, fala-se, fala-se, mas quando chega a altura de fazer… nem sempre se faz! Pior… Quando se faz o “porteguesinho” queixa-se porque vai demorar muito tempo a ver resultados! Claro que assim não se anda para a frente! O problema não está só em quem governa, está em quem é governado. Os portugueses não sabem pensar a longo prazo e quando não se consegue pensar assim é muito difícil implantar algumas medidas.
Creio que é o que se vai passar com o plano tecnológico.
Em primeiro lugar, as principais áreas abrangidas são relativamente novas para a maior parte das pessoas. A faixa etária a partir dos 40 anos não está familiarizada com as tecnologias para que se possa fazer aquilo que está previsto no plano tecnológico.
E se pensarmos em termos de Educação vemos que é não é fácil cumprir as medidas previstas. Um dos objectivos é fazer com as crianças comecem desde pequenas a ter contacto com as tecnologias, mas se um professor não conhece nem sabe trabalhar com essas tecnologias como é q vai ensinar ao aluno o que fazer? Portanto, aqui vemos que existem algumas falhas no que respeita a educação. E podemos continuar. O professor pede a uma turma de 29 alunos para ir ao site do Gave buscar uns critérios de correcção de uma prova. No dia seguinte apenas 4 alunos tinham conseguido o que lhe tinha sido pedido. Os outros queixaram-se por dois motivos, ou não tinham Internet em casa ou não tinham o programa que era necessário (Acrobat Reader). Ora, como vemos, o ideal era começar por aqui. Primeiro dar as ferramentas todas e mostrar que realmente é necessário saber “mexer” nas tecnologias e só depois exigir mais alguma coisa.
Quem fala na educação fala noutros ramos. Aquilo que me parece do plano tecnológico é que é ligeiramente optimista. Portugal não é um país igual aos outros. Há muitas coisas que parece que funcionam nos outros países e em Portugal não!
Mas provavelmente isso tem tudo a ver com as mentalidades que aqui existem. O “português” quer sempre mais do que aquilo que tem, mas quando tem que fazer algo para o obter, acha que dá muito trabalho! Se metade das pessoas pensar assim, como é que um “plano tecnológico” vai funcionar?!?
Acho que o plano tecnológico devia ter tido um “pré-plano” para tentar mudar mentalidades, quanto mais não fosse para familiarizar as pessoas com a Sociedade de Informação.
E só depois de dadas as ferramentas é que se pode querer chegar a todos os pontos do plano em acção. A meu ver não vai ser fácil e os prazos não vão ser cumpridos. Os portugueses são teimosos e é difícil mudar a sua mentalidade.
Será então este plano inovador?!? Pois não sei! Em Portugal parece ser, mas se compararmos com o resto da Europa talvez não seja. E será que devemos comparar?!? A mim parece-me que sim… Talvez quando vir resultados positivos comece a acreditar mas para já fico com os pontos negativos com que já tive contacto…


